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Por Resolutiva · 28 de Agosto, 2026 · 1 min read

Eu tive aulas de natação em um colégio católico que estudei. Um dia, fui arremessada na piscina por um colega de turma que me segurou no colo. Éramos crianças e ele não teve culpa, foi apenas uma brincadeira. Acontece que bati a minha cabeça na borda e acabei com um corte profundo na região occipital.

Pode ser um tipo de paranoia, mas todas as vezes que menciono esse fato a cicatriz lateja e se passo meus dedos por ela sinto uma profunda agonia.

Não só a porcelana pode ser reparada com ouro em pó; corações partidos também. O meu é um exemplar memorável. Contudo, penso que as marcas sejam tão sensíveis ao toque -ainda que gentil- quanto o remendo de sete pontos que carrego acima da nuca.
Existe uma estranheza, uma reação arisca ao amor que por anos me foi negado e agora recebo em doses cavalares. Não tenho lirismos suficientes para descrever esse verão tirano que vivemos.

Talvez seja porque, estar em paz sobressaiu a felicidade faiscante e meramente passageira. Talvez seja a aquarela flutuante que surge quando nos encaramos. Talvez seja o momento em que não falamos nada e absortos no trabalho, o único som que ecoa é o dos nossos teclados batendo. Talvez tenha sido a noite passada em que você sonhou que estávamos na Mongólia, abrigados numa barraca, no Festival da Águia Dourada.

Não existem mais incertezas que tiram o meu sono. Posso ver todos os barcos queimando no horizonte; as cinzas sendo dissolvidas na imensidão do oceano Atlântico.
Quando penso na morte, imagino a ausência assustadora da matéria, como se estivesse nas entranhas de um buraco negro, e minha alma não anseia por salvação divina, mas chama pelo seu nome na esperança de que venha perambular no vazio ao meu lado.

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